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EST(E)LA

      Sinto o tardar em seu olhar. Quantos lençóis já cansou de molhar? Obscura. Sei que não é loucura ou frescura, mas não vai encontrar o que procura nessa bagunça. Singela. Cadê você? Se perdeu nela? Já experimentou abrir a janela? Estela, minha donzela, deixe de lado esse doce amargo. A saudade pode ser maldade. Enquanto a realidade bate palma, sua alma não me parece calma. Fuja menina. Esse amor que te fascina é na verdade uma dor que te domina. As horas passam e tudo parece lento no seu tempo. Sangue turbulento. Que triste este sentimento. Chega de lamento. Não se engane e não te abandone. Na escuridão você some. Você não perde companhia e sim seu dia. Olha o verão. A solidão só é boa quando o vazio não nos magoa. Seu corpo clama por carinho e insiste em errar o caminho. Talvez seja culpa desse puro ego que te leva a esse sofrer eterno. Anda insegura e sem postura. Não sabe pra onde ir. E acredita que aquele ainda vai vir. A música toca e seu coração implora....

CLÍMAX

   Olho a olho. Algo não parece certo. A cada movimento uma descoberta. Mas que relação seria essa? Observo minuciosamente cada ação enviada. Todos os gestos, expressões e sentimentos envolvidos ali. Mesmo que sutil. Ele caminha aos poucos em minha direção. Sentido partido do coração. Parece querer entender. Conhecer. Ou então saber o que rola do outro lado. O que o espera. Tento decifrar por que ainda cruzamos olhares se nem ao menos nos conhecemos. Haveria de existir algum motivo para o feito. O acaso não parecia entrar na brincadeira. Estávamos tendo alguma relação. E pouco a pouco, fui me envolvendo no jogo. Agora envolto em curiosidade. A cada passo, mais forte era a ligação. Cada vez mais próximos da razão. Pude enxergar ali alma e espírito. Dor. Alegria. Ou ambos em um mesmo instante. Movidos pelo tempo a cena parecia ganhar intensidade. Quanto mais perto, maiores eram os sentimentos. Até que enfim, nos aproximamos. No meio da história. Não perdemos a cone...

Forasteiro

     Sozinho. Sem rumo. Olho à minha volta e me sinto perdido. Vejo carros. Edifícios e lojas. Vejo pessoas. Pessoas sérias. O que será que estão sentindo? Estão tristes? Alegres? Não devem ter tempo pra sentir algo. Me pergunto se ao menos existe alguém nesta multidão tão solitário quanto eu. Me sinto vazio. Mesmo em um vasto lugar como este, ninguém se vê. Esqueço que todos sabem aonde ir. Menos eu. Não sou daqui. Talvez tenha passado para conhecer à cidade. Estrangeiro. Um estranho deslocado. Caminho longos passos pelas ruas sem saber onde estou. "Será que você pode me ajudar?!" Pressa. Tudo ao redor parece passar depressa. Eles correm com relógios em seus pulsos. Socorro. "Não pode mesmo me ajudar?" Me sinto preso. Aqui o céu é tão cinza. Acho que estou somente ocupando espaço. Sou invisível. Será mesmo que não existe amor nessas almas andantes? Ando cada vez mais rápido e não chego a lugar algum. Não quero entrar neste ritmo. Não vejo cor alguma senão o p...

Só queria...

    Queria gritar pro mundo. Queria mudar tudo. Ou então me enfiar num buraco profundo.  Quem sabe lá esteja você como uma luz no fim. Queria encontrar a saída desse labirinto. Queria a chave do seu coração. Ou então dizer bem baixinho, só pra você sentir. Ninguém precisa ouvir. Ninguém entenderia. Talvez esteja em você o mistério que tanto tendo desvendar. Por que será que me sinto perdidamente louco por seu olhar? Aliás, você tinha mesmo que olhar? Eu só queria sentar e poder te falar. Te falar tudo o que você deveria saber. Mas é bobagem. Coisa minha. Ao invés de sussurrar em seu ouvido ou berrar o que sinto, mantenho-me aqui. Contido. Queria mudar tudo. Mas nada vai mudar. Eu só queria te encontrar nessa escuridão. Quem sabe você esteja lá? da série "Sentimentos passados" Henrique Lima

O único entre todos

  Caminhava por ali calculando cada passo. Eu não estava perdido. Estava apenas aproveitando aquele momento. Eu queria ter o que lembrar...    Tudo estava como sempre, em seu lugar. Os pisos brancos e sujos. O bebedouro amarelado, ainda enferrujado. Um perigo , p ensei. Porém estava sozinho. O corredor já não estava exatamente como de costume. Faltavam eles, elas, faltava todos. Aqueles barulhos contínuos. Aquelas vozes de risos, gritos e conversas sem parar. Nem mesmo o barulho dos meus passos conseguia ouvir....    Até que em um momento, um barulho ecoou no fim do corredor. Eram eles, elas, todos. Mas apenas um rosto entre estes, procurava ofegante.    O barulho vinha de uma das salas. A última. A sala de computação. Olhei imediatamente e o vi assim que me deparei com os mesmos que chiavam ali. Seu olhar veio de encontro ao meu assim que notou minha presença lhe observando pela ja...

Sonhando acordado

Com sono. Acorde. Cansado. Acorde. Com fome. Acorde. Triste. Acorde. Com sede. Acorde. Com saudade. Acorde. Sozinho. Acorde. Com desanimo. Acorde. Perdido. Acorde. Com dor. Acorde. Apaixonado. Acorde! Henrique Lima

Diamante

  Somos como diamantes. Pedaço de chão. Vindo terra abaixo. Bruto e cru. Um cristal entre muitos outros. Até que ele precisa cumprir seu papel como elemento deste planeta. Em mãos ele é lapidado e polido. Ganha brilho. Ganha valor. A pedra precisou ser preservada, conservada e orientada para ser útil. Antes um caco qualquer, agora um objeto de grande valia. Um objeto cobiçado. Desejado. Todos querem. Poucos têm. Aquele resquício de antes, se tornou depois um bem precioso e parte do corpo.   Como humanos, somos também, parte deste todo. Nascemos do ventre à luz. Somos um ser entre muitos outros diferentes de nós. Até que precisamos como parte de uma sociedade, cumprir nosso papel social.  Em mãos somos ensinados e educados. Ganhamos conhecimento, essência e consciência. Consciência coletiva. Como um diamante, se não tivermos o padrão necessário, somos descartados. Perdemos nosso valor. Não pertencemos mais ao meio.    Mas, a real semel...