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Diamante





  Somos como diamantes. Pedaço de chão. Vindo terra abaixo. Bruto e cru. Um cristal entre muitos outros. Até que ele precisa cumprir seu papel como elemento deste planeta. Em mãos ele é lapidado e polido. Ganha brilho. Ganha valor. A pedra precisou ser preservada, conservada e orientada para ser útil. Antes um caco qualquer, agora um objeto de grande valia. Um objeto cobiçado. Desejado. Todos querem. Poucos têm. Aquele resquício de antes, se tornou depois um bem precioso e parte do corpo.

  Como humanos, somos também, parte deste todo. Nascemos do ventre à luz. Somos um ser entre muitos outros diferentes de nós. Até que precisamos como parte de uma sociedade, cumprir nosso papel social.  Em mãos somos ensinados e educados. Ganhamos conhecimento, essência e consciência. Consciência coletiva. Como um diamante, se não tivermos o padrão necessário, somos descartados. Perdemos nosso valor. Não pertencemos mais ao meio. 

  Mas, a real semelhança entre nós, está no que somos ou deixamos de ser para quem vai nos usar. Um diamante, por mais forte que seja sua pedra, pode se quebrar. Pode ser riscado ou fraturado por um outro diamante. E ser retido de sua linhagem. Assim podemos ter tudo e nada ao mesmo tempo. Tempo este que nos leva a deixar de pertencer mais tarde aquele padrão. Nosso tudo pode ser nada. Bonitos por fora, frios por dentro. Velhos. Vivos mas sem vida. Feridos ou limitados por outros que depois jogam o que restou de nós terra abaixo também. Aqui jaz um bem que um dia nos pertenceu. 

  A diferença talvez esteja na escolha. Escolha de ser único. Próprio. Conscientes? Sim. Mas conscientes de si. Pertencemos à liberdade. Diversificados. Não precisamos deixar o que somos para se tornar face desta falsa e aparente coletividade. A maior diferença está aí: no verdadeiro aprendizado. No amor. No pensamento. No ver. No coração. Temos a oportunidade e o direito de construir nosso brilho. Este sim, não é um consumo cotidiano ou uma mascarada utilidade de satisfação. Não precisamos de rótulos ou orientações. Precisamos acordar deste pesadelo para então, notarmos que nascemos distintos por razões. Razões estas que só à vida nos dirá. Não se engane. Assim como um novo diamante que ainda não caiu em mãos cobiças, no fim seremos também pedaço de chão. 


Henrique Lima


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