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Só queria...

    Queria gritar pro mundo. Queria mudar tudo. Ou então me enfiar num buraco profundo.  Quem sabe lá esteja você como uma luz no fim. Queria encontrar a saída desse labirinto. Queria a chave do seu coração. Ou então dizer bem baixinho, só pra você sentir. Ninguém precisa ouvir. Ninguém entenderia. Talvez esteja em você o mistério que tanto tendo desvendar. Por que será que me sinto perdidamente louco por seu olhar? Aliás, você tinha mesmo que olhar? Eu só queria sentar e poder te falar. Te falar tudo o que você deveria saber. Mas é bobagem. Coisa minha. Ao invés de sussurrar em seu ouvido ou berrar o que sinto, mantenho-me aqui. Contido. Queria mudar tudo. Mas nada vai mudar. Eu só queria te encontrar nessa escuridão. Quem sabe você esteja lá? da série "Sentimentos passados" Henrique Lima

O único entre todos

  Caminhava por ali calculando cada passo. Eu não estava perdido. Estava apenas aproveitando aquele momento. Eu queria ter o que lembrar...    Tudo estava como sempre, em seu lugar. Os pisos brancos e sujos. O bebedouro amarelado, ainda enferrujado. Um perigo , p ensei. Porém estava sozinho. O corredor já não estava exatamente como de costume. Faltavam eles, elas, faltava todos. Aqueles barulhos contínuos. Aquelas vozes de risos, gritos e conversas sem parar. Nem mesmo o barulho dos meus passos conseguia ouvir....    Até que em um momento, um barulho ecoou no fim do corredor. Eram eles, elas, todos. Mas apenas um rosto entre estes, procurava ofegante.    O barulho vinha de uma das salas. A última. A sala de computação. Olhei imediatamente e o vi assim que me deparei com os mesmos que chiavam ali. Seu olhar veio de encontro ao meu assim que notou minha presença lhe observando pela ja...

Sonhando acordado

Com sono. Acorde. Cansado. Acorde. Com fome. Acorde. Triste. Acorde. Com sede. Acorde. Com saudade. Acorde. Sozinho. Acorde. Com desanimo. Acorde. Perdido. Acorde. Com dor. Acorde. Apaixonado. Acorde! Henrique Lima

Diamante

  Somos como diamantes. Pedaço de chão. Vindo terra abaixo. Bruto e cru. Um cristal entre muitos outros. Até que ele precisa cumprir seu papel como elemento deste planeta. Em mãos ele é lapidado e polido. Ganha brilho. Ganha valor. A pedra precisou ser preservada, conservada e orientada para ser útil. Antes um caco qualquer, agora um objeto de grande valia. Um objeto cobiçado. Desejado. Todos querem. Poucos têm. Aquele resquício de antes, se tornou depois um bem precioso e parte do corpo.   Como humanos, somos também, parte deste todo. Nascemos do ventre à luz. Somos um ser entre muitos outros diferentes de nós. Até que precisamos como parte de uma sociedade, cumprir nosso papel social.  Em mãos somos ensinados e educados. Ganhamos conhecimento, essência e consciência. Consciência coletiva. Como um diamante, se não tivermos o padrão necessário, somos descartados. Perdemos nosso valor. Não pertencemos mais ao meio.    Mas, a real semel...

Culpe a noite

      Certa vez olhei para a lua. Naquela noite escura, só ela brilhava. E andando por entre as ruas, vi aquela moça amável. Tão bela era. Eu a vi nua e crua. Então olhei para o céu e perguntei para a lua: "Essa moça é tua?". Ofuscado por seu olhar me entreguei. Demos as mãos e seguimos sob a luz. Mas tão grande era sua beleza que cheguei a duvidar se no fim da noite, ela também sumiria pelas ruas como a lua. Henrique Lima

O tempo passou por aqui

   Hoje o tempo me fez uma visita. Conversamos sobre as memórias. Relembramos doses de sentimentos. Amor. Dor. Coração disparou. A mente recordou. Destino acordou. Lembranças de escolhas. Rumos e caminhos. Mudanças. Passado rebobina.    Escuto o som do choro. O som das batidas. O som da voz. Das vozes. Quantas emoções passamos. Vimos momentos. Olhares. Encontros. Encontro de olhares. Voltas e reviravoltas. Lutas. Vimos à vida.   No fim da conversa, ri com o tempo. O único som naquele momento. Então ele partiu. Senti que este não foi o fim e sim o começo. E o tempo? Bom, ele é como o vento, não vimos mas sentimos quando ele aparece na brisa depois do sol raiar ou então o ouviremos bater no silêncio quando a lua chegar.   Boa mesmo foi a despedida. O tempo partiu e levou consigo o que se foi. O que já era. O que era, já se foi. O tempo levou. Levou tempo. Não para que pudesse acabar, mas para que eu pudesse respirar.   A casa não fi...

BATIDA

Bate a porta mas não é você. Bate aquela saudade. Bate o coração. Bate aquela dor. Bate aquele vazio. Bate o sono em meio à insônia. A realidade bate na cara. A morte bate papo. A solidão bate palmas. Tempo bate recorde. E a mente bate-boca. Mas na minha porta você não bate. Henrique Lima