Há tempos que não escrevo. Escrever para mim é como despejar todo o peso e o que está me agonizando por dentro. É uma fuga temporária. Sentimentos registrados. Dor e alegria. Vai depender do contexto. Mas as vezes o que menos precisamos é se apoiar em algo para fugir do que não conseguimos encarar ou enfrentar. E por isso deixei de escrever para descobrir afundo os demônios que me atormentavam. Decidi arriscar. Mas não vim para falar do que me fez parar, mas sim do que me fez voltar a escrever.
Memórias. Estão sempre conosco. Não há como fugir. Se tem futuro, é porque houve passado. Quando se fala em memórias, surgem as lembranças. Algo, alguém, palavras, imagens, sentimentos, momentos. Tudo aquilo que se passou, ficou cravado em nossa mente. Penso que as memórias são boas já que com elas nunca vamos nos esquecer de como vivemos no passado. Isso pode ser ruim por um lado, mas nem sempre será. E com as recordações, podemos traçar uma linha do tempo e visualizar o quanto foi preciso viver,morrer e nascer de novo para sermos quem hoje somos. Sendo assim, acredito que para o presente não há questões. Não devemos viver no passado, mas já que com as memórias, nunca esqueceremos dele, o que também é incrível, pois graças a isso podemos sentir saudades, nostalgia, relembrar fatos, ter uma história, ou simplesmente sentir que tudo valeu a pena no final, podemos olhar o que éramos no passado e o que somos no presente. O que somos no futuro não saberemos, mas o hoje será o passado de amanhã, então mesmo que nunca entendemos as coisas da vida, que tal apenas viver pelo momento e por tudo que queremos? Tá. Tudo bem que querer nem sempre é poder. Mas e quando é? Vale a pena questionar tudo? Não pensar muito é o segredo. Teremos as respostas depois e se for tarde demais, recomeçamos e vivemos de novo. Assim teremos em nossa memória, motivos para os quais estamos aqui. É a vida. Aquilo que queremos esquecer, naturalmente deixará de ter importância se focarmos no agora. Talvez algumas lembranças nunca irão sair da nossa mente, mas se permanecem ou permanecerão com a gente, é porque mesmo sem saber precisamos destas memórias para viver.
Henrique Lima
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